Por que os Starchitects estão inclinados a destruir o mundo?
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| O tic-tac-toe de Eisenman. |
Josh Stevens publicou um artigo interessante alguns dias atrás no Planetizen sobre o relacionamento problemático entre arquitetos
superstar ("starchitects") e o movimento de sustentabilidade. Stevens
começa por apontar que, ao contrário de uma pintura de Picasso, a execução da
visão de um arquiteto tem consequências energéticas e ambientais muito reais,
significativas e mensuráveis.
"A operação dos sistemas de iluminação, aquecimento, ar
condicionado e ventilação dos edifícios dos Estados Unidos", ele escreve,
"representa coletivamente cerca de 60% do consumo de energia da nação e
totalizam quase 40% das emissões de carbono do país. A nova construção consome
milhões de toneladas de materiais intensivos em energia, incluindo concreto,
aço, vidro e madeira processada".
Numa era em que as crises ecológicas estão instáveis e a
produção global de petróleo está (potencialmente) prestes a despencar, faria
sentido que a sustentabilidade fosse a prioridade de qualquer arquiteto.
Mas os 'figurões' da arquitetura que Stevens cita são na
melhor das hipóteses, mornos sobre sustentabilidade. Eric Owen Moss, diretor do Instituto de
Arquitetura do Sul da Califórnia, diz a Stevens que "um edifício
sofisticado no sentido ambiental não é ipso facto um edifício sofisticado no
sentido do design ... Eu não combinaria os dois".
Isso não é tão ruim quanto o arquiteto pós-moderno
"desconstrutivista" Peter Eisenman, cujo escritório disse a Stevens
que "O Sr. Eisenman ... não 'trabalha' com a sustentabilidade ".
Não que essas atitudes sejam uma surpresa. Eisenman é
especializado na concepção de edifícios feios, absurdos e disfuncionais que
deliberadamente tornam seus usuários desconfortáveis e que começam a desmoronar dentro de alguns anos após sua construção.
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| Nunotani HQ em Tokyo, por Peter Eisenman |
Graças a Deus, seu "tic-tac-toe" nunca ganhou a
licitação para substituir o World Trade Center (embora tenha chegado
desconfortavelmente próximo). Em 1982, um debate entre Eisenman e Christopher Alexander trouxe a filosofia anti-humanista de Eisenman e arquitetos como ele a
tona. Depois de dialogarem durante várias rodadas, Alexander finalmente
pressiona Eisenman:
"
CA: O que me parece sobre o edifício de seu amigo - se
eu entendi você corretamente - é que, de alguma forma, é desarmonioso
intencionalmente. Ou seja, Moneo intencionalmente quer produzir um efeito de
desarmonia. Talvez até de incongruência.
PE: Correto.
CA: Acho isso incompreensível. Eu acho isso muito
irresponsável. Acho isso insano. Sinto muito pelo homem. Eu também me sinto
incrivelmente furioso porque ele está destruindo o mundo .
"
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| Logrono City Hall, de Rafael Moneo |
É surpreendente, então, que alguém cuja ideologia
anti-humanista busque deliberadamente desarmonia e disfunção riria da ideia de sustentabilidade (mesmo que a
sobrevivência da raça humana dependa disso?).
O argumento de Alexander sempre foi que a funcionalidade é
inseparável da estética na arquitetura - um ponto que também pode ser aplicado
aos problemas de sustentabilidade. A luz natural nos dois lados de um cômodo
não só economiza eletricidade, torna as pessoas mais confortáveis e contribuem
para a saúde emocional. Os materiais naturais não só carregam energia menos
incorporada, mas também criam edifícios que parecem mais naturais e vivos.
Claro, tudo isso pressupõe que a "funcionalidade"
em um edifício significa fazer as pessoas se sentirem mais confortáveis,
naturais, humanas, vivas e felizes. Se o objetivo de alguém, por outro lado, é
maximizar os lucros ou garantir que haja estacionamento abundante, um modelo
diferente toma conta.
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| Royal Ontario Museum, um dos monstros de Daniel Libeskind |
Nenhum objetivo, no entanto, explica as monstruosidades
bizarras que Eisenman, Liebskind e outros produzem. O fato de que esses
arquitetos ainda conseguem empurrar suas criações mal concebidas para um
público intelectualmente confuso provavelmente diz mais sobre nós do que
qualquer outra coisa. Se estamos tão desconectados de nossos sentimentos que
celebramos a construção de estruturas que nos deixam desconfortáveis, é de
surpreender que somos insensíveis à catástrofe ecológica que criamos?
Autor: Lakis Polycarpou
Tradutor: Gabriel Braga Calheiros




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